Doutora Suzy

A importância das medidas de proteção solar diária

Nós dermatologistas sempre enfatizamos que o uso diário do protetor solar deve ser adotado a fim de diminuir os riscos de formação de cânceres de pele; embora cada vez mais se comente da importância do uso de protetores solares no dia a dia, ainda são poucas as pessoas que os utilizam realmente.

É importante saber a partir de que idade começar a usar estes cremes protetores, qual o fator de proteção escolher e mesmo qual o tipo mais adequado à pele.

Quanto à idade de início, devemos usar filtros solares a partir dos seis meses de vida, sendo que as exposições solares devem ser evitadas até esta idade. A partir deste período, se estendendo até os 10 anos de vida, podemos usar os filtros solares infantis, que não costumam conter substâncias que poderiam causar alergia à pele ainda imatura das crianças.  Após esta fase da infância podem ser usados os mesmos filtros do adulto, levando em consideração que se a pele for oleosa, filtros em gel ou em gel creme, ou mesmo fluidos devem ser preferidos para evitar a formação de acne (espinhas) – estes são chamados de filtros não comedogênicos.  Embora muitos filtros solares tenham esta especificação, eles ainda podem induzir a formação de acne num paciente com propensão que não esteja em tratamento. A visita ao dermatologista pode auxiliar tanto no tratamento da acne quanto na escolha do filtro solar caso isto ocorra.

Quanto à escolha do grau de proteção solar devemos levar em conta dois fatores: o FPS (Fator de Proteção Solar que indica apenas a proteção contra a radiação ultravioleta B – UVB) e a medida em cruzes – de uma a três – ou PPD (Persistent Pigment Darkening) medido até 21 (a mais alta proteção contra a radiação UVA nesta forma de medida), para se referir ao grau de proteção contra UVA. Quando um filtro solar tem amplo espectro ele garante proteção contra as duas radiações, o que é muito importante, já que as duas oferecem risco em caso de exposição prolongada e inadequada. Os filtros solares mais antigos não garantiam a proteção tão ampla para a radiação UVA.

Ao escolher filtros solares para o uso diário podemos optar pelos de FPS 30, podendo ser de FPS maior (50 ou 60 preferencialmente) para pacientes com doenças de pele como Lúpus discóide (doença de pele em que o sol tem papel desencadeante), ou manchas solares de mais difícil tratamento, como os melasmas ou em processos pós inflamatórios.  A proteção em cruzes para UVA deve estar presente em quaisquer destes filtros escolhidos.

A eficácia do filtro pode ser comprometida se não houver a reaplicação do produto. A freqüência de reaplicação é determinada pelo FPS do filtro, que indica quanto tempo a pessoa pode expor-se ao sol sem ficar avermelhada. Para um determinado FPS sempre se deveria reaplicar o filtro em um intervalo correto de horas com uma generosa quantidade na pele.  Para impedir distorções de uso, padronizou-se que se deve reaplicar os filtros de 2 em 2 horas nas áreas expostas mesmo sem levar em conta a diferença do número dos FPS. Esse ajuste se fez levando-se em conta se aplicam quantidades muito menores que as recomendadas pelos fabricantes: devem-se aplicar camadas espessas, formando uma fina película de protetor em toda reaplicação. Pelo fato de não fazê-lo adequadamente diminuímos o FPS dos filtros solares (por exemplo, um FPS 30 equivaleria a apenas 10 pela aplicação deficiente). Com a aplicação em intervalos menores, a cada duas horas, minimizaríamos os erros decorrentes do uso de uma menor quantidade do protetor solar.

Outras medidas devem ser tomadas para proteção contra as radiações ultravioleta: uso de chapéus, bonés, roupas apropriadas para caminhadas quando estamos expostos ao sol (tecido de poliéster nas cores vermelho, azul marinho e preto conferem mais proteção à radiação solar por filtrarem mais as radiações UV que os tecidos claros e de algodão).  Porque tais medidas são importantes além dos filtros? Porque nenhum filtro nos protege 100%, a radiação solar se reflete em nossas roupas e também se refrata (atravessa) nelas, atingindo a nossa pele coberta. Há hoje lojas especializadas que vendem tecidos tratados para garantir proteção contra radiação solar – sendo a medida desta proteção dada em FPU (fator de proteção UV), contando com produtos como  luvas, chapéus, camisetas, vestidos, etc.

Uma observação valiosa cabe aqui: a exposição de 2 a 3 vezes por semana, por apenas 5 minutos, sem o uso de protetor solar é suficiente para síntese de vitamina D – a qual ocorre na pele pela ação da radiação UV. O risco de osteoporose, portanto, por carência induzida pelos protetores solares empregados na pele em um paciente com uma dieta sem reposição de cálcio é minimizada com esta pequena exposição solar; em pacientes que ingerem, por exemplo, leite enriquecido com Cálcio e Vitamina D há garantia para suas necessidades diárias até sem esta mínima exposição sem a proteção dos cremes com filtros solares.

É importante que cada vez mais tomemos consciência da necessidade do uso das medidas de proteção solar. Os cânceres de pele em sua maior parte são evitáveis e o envelhecimento precoce não precisa ser um fato, já que o sol é o maior envelhecedor externo de nossa pele.  Podemos nos bronzear com saúde, sem que a agressão que precede o câncer de pele seja um fato, usando os filtros solares e as outras barreiras que impedem os danos excessivos causados pelas radiações UV.

Não se esqueça: num dia nublado 80% da radiação UV atinge a superfície da Terra – use as medidas de proteção mesmo nestes dias. Mesmo não vendo, você sofrerá os danos da radiação que estará lá. Cuide-se bem!

Em caso de dúvida procure seu dermatologista.

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